Brutalismo e urbanismo: o que o filme “O Brutalista” nos ensina sobre cidades

3 de abril de 2025

O filme “O Brutalista”, dirigido por Brady Corbet, conquistou destaque na cerimônia do Oscar de 2025, com Adrien Brody recebendo o prêmio de Melhor Ator por sua interpretação do arquiteto László Tóth. A narrativa fictícia acompanha Tóth, um arquiteto judeu que, após a Segunda Guerra Mundial, emigra para os Estados Unidos em busca de reconstruir sua vida e carreira.

O brutalismo, movimento arquitetônico que emergiu nas décadas de 1950 e 1970, caracteriza-se pelo uso expressivo do concreto aparente e pela valorização da funcionalidade sobre a ornamentação. O termo deriva do francês “béton brut”, que significa “concreto bruto”, e foi popularizado por arquitetos como Le Corbusier.

No urbanismo, o brutalismo influenciou significativamente o planejamento de cidades no pós-guerra, especialmente na Europa, onde a necessidade de reconstrução rápida e econômica era premente. Edifícios brutalistas frequentemente abrigavam instituições públicas, habitações sociais e centros culturais, refletindo ideais de funcionalidade e igualdade social. ​ 

A relação entre o filme e o movimento brutalista é profunda. A trajetória de Tóth espelha a resiliência e a busca por reconstrução presentes no brutalismo. Assim como o arquiteto enfrenta desafios ao tentar se estabelecer em um novo país, o brutalismo surgiu como uma resposta às necessidades de reconstrução e renovação urbana no pós-guerra.​

Além disso, o filme destaca a dualidade do brutalismo: embora muitas vezes criticado por sua estética austera, também é celebrado por sua honestidade estrutural e compromisso com a funcionalidade. Essa dualidade é refletida na jornada de Tóth, que busca equilibrar sua visão artística com as demandas práticas de sua nova realidade.​ 

Em suma, “O Brutalista” não apenas retrata a vida de um arquiteto imigrante, mas também serve como uma metáfora para o próprio movimento brutalista, simbolizando a luta pela reconstrução, adaptação e a busca por identidade em meio a desafios.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Caos Planejado.

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Arquiteta e urbanista, especialista em Gestão de Projetos e mestre em arquitetura pela UFRN. Atualmente é sócia da PSA Arquitetura em São Paulo e da PYPA Urbanismo & Desenvolvimento Urbano em Natal-RN. (sophia.motta@psa.arq.br)
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